Nos últimos dias, o clima vem castigando duas regiões brasileiras. Seja pelo excesso de chuvas seja pela falta delas, os desastres naturais causam transtornos incalculáveis à população. Enquanto 104 cidades mineiras decretaram situação de emergência devido às fortes chuvas, 107 municípios gaúchos e 63 catarinenses decretaram o alerta por causa da escassez de água.
Somente nos seis primeiros dias do ano, choveu na capital mineira, Belo Horizonte, o equivalente a 77% do volume aguardado para todo o mês de janeiro. Segundo o último balanço da Defesa Civil de Minas Gerais, 12.875 pessoas estão desalojadas, 1.240 estão desabrigadas e 36 ficaram feridas em ocorrência das chuvas. No total, 2,2 milhões de moradores foram afetados e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) prevê mais chuvas para os próximos dias.
Por sua vez, na Região Sul do país, as perdas chegam a R$2,8 bilhões, de acordo com a Associação Rio-Grandense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural. As culturas de feijão e milho são as mais afetadas. Em alguns cultivos, 90% dos milhos plantados foram perdidos e a soja teve uma perda de 25%.
Prevenção
Prevenir desastres naturais é possível, mas evitar que eles aconteçam, não. De acordo com Cléber José Borges, capitão do Corpo de Bombeiros do Tocantins e tutor do Curso de Pós-graduação a Distância do Posead, Gestão de Emergências e Desastres, ainda não há uma política pública de prevenção de desastres, mas existem projetos elaborados para preveni-los. “O que temos são estudos constantes que envolvem teses, seminários e grupos de discussão, todavia o interesse neste tema é crescente.”, diz.
Entretanto, deve haver uma consciência coletiva para prevenir tais desastres e maior fiscalização dos órgãos competentes. “Desastres naturais ocorrem, em sua maioria, de forma gradual com indícios que provocarão prejuízos ambientais, financeiros e humanos, contudo a população ignora tais indícios e ainda agrava-os com ações que vão de encontro às leis de proteção ambientais como destruição de matas ciliares e depósito de lixo em locais de escoamento de água”, explica o capitão Cléber Borges.
Estratégia
A Secretaria Nacional de Defesa Civil anunciou na última quarta-feira (4) que estão disponíveis, para este ano, aproximadamente R$ 28 milhões para financiar projetos de prevenção de desastres naturais com o objetivo de diminuir o número de vítimas das enchentes, deslizamentos e secas no país.
Em Minas Gerais, o Governo divulgou que haverá um escritório estratégico de apoio aos municípios afetados pelas chuvas com o objetivo de acelerar as ações de enfrentamento ao período. A unidade que funcionará em Ubá, na Zona da Mata, será integrada às ações da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de Minas Gerais (Cedec-MG). O escritório vai oferecer subsídio para os prefeitos na solicitação de recursos federais, na análise de projetos de reconstrução e dará informações quanto à utilização dos programas estaduais.
Para o capitão Cléber Borges, antes de pensar em prevenir desastres naturais, há de se ter certeza que eles ocorrerão. Uma correta prevenção não apenas diminuirá seus acontecimentos como também minimizará seus prejuízos. Para a prevenção de desastres naturais deve-se obedecer a parâmetros para cada tipo de desastres, por exemplo:
- se forem enchentes, buscar construir casas mais altas, criar vias de escoamento e implantar sistemas de drenagem;
- se forem deslizamentos, as encostas deverão conter sistema de vazamento de excesso de água, além de escadas quebra-água e acima de tudo manter as matas ciliares;
- se for estiagem ou seca, criar reservatórios de água e estocar alimentos para que a população tenha abastecimento durante os períodos críticos.
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